O volume financeiro das carteiras administradas alcançou R$ 1,39 trilhão em março de 2026, segundo nova publicação da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).O valor praticamente dobrou em relação ao início da apuração em julho de 2022, quando o volume registrado era de R$ 830 bilhões.
Embora o número de carteiras tenha recuado de 123 mil para 117 mil no mesmo período, a Anbima ressalta que esse movimento está concentrado em uma única instituição e, portanto, não representa uma tendência de mercado. O crescimento do patrimônio administrado demonstra que a expansão do segmento ocorreu de forma consistente, mesmo diante dessa redução pontual na quantidade de carteiras.
O avanço do patrimônio das carteiras administradas reflete um movimento de maturidade do mercado brasileiro, em que os investidores buscam estratégias cada vez mais sofisticadas, enquanto os gestores ampliam sua capacidade de oferecer soluções personalizadas. Nesse contexto, o segmento consolida sua posição como protagonista na alocação de patrimônio no país.
Os investidores profissionais, aqueles com mais de R$ 10 milhões em investimentos, são os principais usuários desse produto e respondem por quase a totalidade do volume investido, somando R$ 1,22 trilhão. Em seguida, aparecem os investidores qualificados, que possuem mais de R$ 1 milhão investido, com R$ 158 bilhões, e os investidores gerais, também conhecidos como investidores de varejo, que possuem menos de R$ 1 milhão investido, com aproximadamente R$ 19,4 bilhões.
No primeiro trimestre de 2026, a captação líquida das carteiras administradas foi positiva em R$ 9,15 bilhões, representando o segundo melhor resultado para um primeiro trimestre desde julho de 2022. O desempenho ficou atrás apenas dos R$ 10,99 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
Quanto à comercialização, o segmento private e as seguradoras concentram, respectivamente, 30,31% e 25,18% do volume total do setor. Em relação à composição dos ativos, 61,48% das carteiras ativas admitem investimento em crédito privado, 27,23% permitem alocação no exterior e 19,18% já contemplam a possibilidade de investimento em criptoativos, direta ou indiretamente.
A concentração do volume em investidores profissionais e nos canais private e seguradoras reforça a relevância de um planejamento societário e tributário estruturado de forma personalizada, especialmente diante da necessidade de observância das regras de suitability na estruturação desses veículos e das estratégias de investimento adotadas.
