No dia 25 de março, o Governo Federal realizou, na B3, em São Paulo, o primeiro leilão de concessão de floresta pública com base em créditos de carbono. O certame contou com a estruturação técnica do BNDES e foi realizado pelo Serviço Florestal Brasileiro em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, tendo como objeto a Floresta Nacional do Bom Futuro, em Rondônia — 51,2 mil hectares concedidos por 40 anos à empresa Re.green.
A modelagem é inovadora. Ao contrário das concessões florestais tradicionais, cuja receita do concessionário decorre do manejo florestal, a principal fonte de financiamento é a comercialização de créditos de carbono e produtos da silvicultura nativa. O investimento previsto é de R$ 87 milhões, com potencial de geração de 1,9 milhão de toneladas de CO₂ equivalente e criação de 479 postos de trabalho na região.
A aprovação do Marco Legal do Mercado de Carbono (Lei 15.042/2024) dá respaldo jurídico à operação, mas a regulamentação setorial ainda está em curso — o que exige atenção de empresas e investidores interessados nos próximos certames. O SFB já estrutura, em parceria com o BNDES e o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), mais sete projetos de concessão focados em restauração e dez de manejo florestal sustentável.
