O Brasil registrou, em 2025, o maior número de empresas em recuperação judicial de sua série histórica, alcançando 2.466 CNPJs envolvidos em processos de reestruturação, conforme dados divulgados pela Serasa Experian. O resultado representa crescimento de 13% em relação ao ano anterior e reflete o agravamento das condições de crédito no país.
Pelo critério de processos, foram registrados 977 pedidos de recuperação judicial ao longo do ano, o maior volume desde 2016, indicando uma intensificação do uso do instituto como mecanismo de reorganização financeira por empresas em dificuldade.
O avanço está diretamente associado ao ambiente macroeconômico adverso, marcado por taxa básica de juros elevada, com a Selic em 14,75%, maior seletividade na concessão de crédito e aumento dos níveis de inadimplência. Nesse contexto, empresas mais alavancadas enfrentam dificuldades para rolar dívidas ou captar novos recursos, recorrendo à recuperação judicial como alternativa para reestruturação de passivos e preservação das atividades.
A principal inovação do levantamento está na atualização metodológica, que passou a diferenciar o número de processos do total de empresas envolvidas. A mudança permite captar com maior precisão o alcance real das recuperações judiciais, considerando que um único processo pode abranger diversos CNPJs de um mesmo grupo econômico, inclusive com inclusão posterior ao ajuizamento.
Sob a perspectiva setorial, os segmentos de agropecuária e serviços concentraram a maior parte das empresas em recuperação judicial, ambos com cerca de 30% do total. Na sequência, aparecem comércio e indústria, com participações menores, evidenciando uma mudança estrutural na distribuição dos setores mais impactados.
Apesar do avanço das recuperações judiciais, os pedidos de falência seguiram trajetória oposta, com queda de 19% no período. Ainda assim, especialistas apontam que o elevado número de empresas negativadas, que supera 8 milhões de CNPJs, mantém o cenário de atenção para os próximos períodos, sobretudo diante da persistência de condições financeiras restritivas.
O conjunto dos dados indica que a recuperação judicial vem sendo cada vez mais utilizada como instrumento de gestão de crise empresarial no Brasil, ao mesmo tempo em que sinaliza o aumento da pressão financeira sobre as empresas em um ambiente de crédito mais caro e restrito.
