O mercado brasileiro de fusões e aquisições (M&As) começou 2026 com desempenho expressivo, registrando o melhor resultado para um primeiro trimestre desde 2021. Entre janeiro e março, o volume financeiro das transações alcançou cerca de US$ 15,9 bilhões, representando um crescimento aproximado de 30% em comparação ao mesmo período de 2025. O avanço ocorre em um contexto de retomada gradual da confiança dos investidores, neste primeiro trimestre, e maior interesse por ativos estratégicos no país.
Esse crescimento, no entanto, não foi acompanhado por um aumento proporcional no número de operações. Pelo contrário, houve uma redução na quantidade de negócios fechados: 153 (cento e cinquenta e três) neste trimestre, comparado a 198 (cento e noventa e oito) no primeiro trimestre do ano anterior, indicando uma concentração maior em transações de grande porte, que passaram a dominar o mercado e foram determinantes para elevar o volume total movimentado no trimestre. O cenário revela uma mudança no perfil dos investimentos, com empresas priorizando aquisições mais relevantes e alinhadas a estratégias de longo prazo, ao invés de múltiplos negócios de menor escala.
Outro destaque do período foi o fortalecimento da participação de investidores estrangeiros. Após um intervalo de menor presença, o capital internacional voltou a ganhar relevância nas negociações, impulsionado por fatores como o cenário geopolítico atual e perspectivas de retorno em setores considerados promissores, como serviços financeiros, energia renovável e tecnologia. Esse movimento reforça a percepção de que o Brasil segue como destino relevante para investimentos globais, especialmente em segmentos que passam por processos de consolidação ou oferecem oportunidades de expansão.
Além disso, fatores conjunturais também contribuíram para o aquecimento do mercado no início do ano. Empresas e investidores aceleraram negociações e decisões estratégicas diante da possibilidade de um ambiente futuro mais imprevisível, especialmente em função das eleições, que impactam diretamente o mercado e produzem ambiente de incerteza no segundo semestre de 2026. Ademais, o ambiente de crédito também exerce papel essencial no aumento do volume das negociações, observado que as empresas brasileiras vêm substituindo empréstimos de curto prazo por captações de longo prazo, ocasionando o desafogamento do caixa das empresas e permitindo a criação de valor aos acionistas.
De forma geral, o desempenho observado sinaliza uma reativação do mercado de fusões e aquisições no país, ainda que com características distintas de ciclos anteriores. A predominância de operações de maior porte, aliada à atratividade ao investidor estrangeiro e à busca por ativos estratégicos, indica um ambiente mais seletivo, porém robusto e de alto volume. A expectativa é que o observado se mantenha para o segundo trimestre, em especial sob a tendência de queda dos juros no longo prazo.
